Período de teste de revendedora: framework de 90 dias
Quase toda loja sabe recrutar revendedora. Quase nenhuma sabe dizer, com número, em que semana ficou claro que aquela revendedora não ia dar certo. O prejuízo mora nesse intervalo.
A loja recruta seis revendedoras no trimestre, monta seis maletas, entrega tudo com boa expectativa. Quatro meses depois, duas vendem bem, uma vende pouco, uma sumiu do grupo e duas devolveram metade da maleta com peça marcada. O lojista sabe o resultado. O que ele não sabe é em que semana cada um desses desfechos já estava visível.
Esse é o custo de operar programa de revendedoras sem portão de decisão: a loja descobre tarde o que dava para saber cedo, e paga a diferença em peça imobilizada e desgaste de relacionamento. O framework abaixo define três momentos de avaliação, quatro indicadores objetivos e o que fazer em cada resultado. Ele vale igualmente para joalherias e lojas de semijoias que operam venda externa.
- Período de teste de revendedora
- Janela inicial de 90 dias em que a loja avalia uma revendedora nova contra critérios definidos antes da entrega da primeira maleta, com pontos formais de decisão para aprovar, ajustar ou encerrar a parceria.
Este post trata da avaliação. O roteiro de preparação dos primeiros sete dias está aqui: Onboarding de revendedora nova: primeira semana passo a passo →
1. Os quatro indicadores do teste
O erro clássico da avaliação informal é olhar apenas para quanto ela vendeu. Volume no primeiro mês depende de fatores que dizem pouco sobre o futuro: aniversário na família, uma amiga que comprou três peças de uma vez, uma feira que caiu na semana certa. Os quatro indicadores abaixo medem comportamento, e comportamento se repete.
| Indicador | O que mede | Referência saudável em 90 dias |
|---|---|---|
| Tempo até a primeira venda | Iniciativa e rede de contatos ativa | Até 10 dias após receber a maleta |
| Frequência de acerto | Disciplina e previsibilidade | 3 acertos no prazo combinado, sem atraso acima de 5 dias |
| Taxa de devolução da maleta | Aderência do mix à rede real dela | Abaixo de 55% das peças ao final do ciclo |
| Integridade da peça devolvida | Cuidado com patrimônio de terceiro | Zero peça danificada, até 5% com marca leve de manuseio |
Frequência de acerto carrega mais sinal do que os outros três somados. Revendedora que vende menos mas acerta em dia é problema de mix e de treino, e os dois se resolvem. Revendedora que vende bem e atrasa acerto é problema de controle, e esse costuma piorar conforme o valor em campo aumenta.
2. Portão de 30 dias: ela conseguiu começar?
O primeiro portão não avalia desempenho, avalia partida. A pergunta é única: ela transformou a maleta em movimento. Três verificações bastam.
- Houve pelo menos uma venda registrada dentro dos primeiros 10 dias.
- O primeiro acerto foi feito na data combinada, com valor conferido e sem pendência aberta.
- Ela respondeu contato da loja em até 48 horas ao longo do mês.
Duas dessas três cumpridas mantém a revendedora no programa. Nenhuma cumprida encerra o teste em 30 dias, e não em 90. Manter maleta em campo com quem não deu partida no primeiro mês é imobilizar capital em uma aposta que já se resolveu.
3. Portão de 60 dias: existe padrão ou foi sorte?
O segundo portão procura repetição. Uma venda pode ser circunstância; duas séries de acerto com valores parecidos já são um padrão de operação. Aqui entram, pela primeira vez, os números de giro.
Compare o segundo ciclo com o primeiro em três eixos: valor vendido, número de peças giradas e prazo de acerto. O sinal positivo não é crescimento explosivo, é estabilidade com tendência de alta. Queda de mais de 40% do primeiro para o segundo ciclo, sem justificativa conhecida, é sinal de rede esgotada: ela vendeu para o círculo próximo e não sabe como chegar ao segundo anel de contatos.
Rede esgotada tem tratamento e não é motivo de desligamento no dia 60. O tratamento é treino de prospecção, ajuste de mix para ticket de entrada e apoio em evento coletivo. O que não se trata é ausência de resposta e acerto atrasado pela segunda vez.
Depois do período de teste, a revendedora entra na régua permanente de acompanhamento. O modelo está aqui: Ranking de revendedora: framework de 4 indicadores →
Por que 90 dias e não 30 ou 180?
Porque 90 dias cobrem exatamente três ciclos completos de acerto, e três pontos são o mínimo para distinguir tendência de acaso. Com dois ciclos você tem uma reta, e uma reta passa por qualquer par de pontos. Com três, o desvio aparece.
Trinta dias é curto demais e pune quem pegou um mês atípico. Cento e oitenta dias custa caro nos dois lados: a loja carrega peça parada em campo por meio ano e a revendedora investe tempo em uma parceria que a loja já sabia que ia encerrar. Noventa dias é o ponto em que o custo do erro ainda é pequeno e a informação já é confiável.
4. Portão de 90 dias: aprovar, ajustar ou encerrar
O portão final tem três saídas, e a decisão sai da tabela de indicadores, não da impressão pessoal sobre a revendedora.
- Aprovar: os quatro indicadores dentro da referência. Ela sai do teste, ganha aumento de maleta em 30% a 50% e entra na régua permanente de acompanhamento.
- Ajustar: disciplina em ordem, volume abaixo. Acerto em dia, peça íntegra, comunicação ativa, mas vendeu pouco. Concede-se um ciclo extra de 45 dias com mix reconfigurado para ticket de entrada.
- Encerrar: falha em disciplina. Acerto atrasado de forma recorrente, peça danificada ou item não localizado. Encerra-se o teste independentemente do volume vendido.
A terceira saída é a que mais gera hesitação, especialmente quando a revendedora vende bem. Vale lembrar o que está em jogo: peça consignada é patrimônio da loja em posse de terceiro. Volume não compensa risco de controle, e programa que abre exceção nesse ponto ensina o comportamento para todo o grupo.
5. O que precisa estar escrito antes da primeira maleta sair
O framework inteiro depende de uma coisa banal: a revendedora saber das regras antes de começar. O termo assinado no dia da entrega da primeira maleta precisa declarar o prazo de 90 dias, as três datas de avaliação, os quatro indicadores com suas referências e as três saídas possíveis.
Isso muda o desligamento de julgamento pessoal para cumprimento de combinado. Na prática, também reduz o número de desligamentos: parte das revendedoras que sairia se corrige quando sabe exatamente o que está sendo medido.
As cláusulas que sustentam esse termo estão detalhadas neste checklist: Contrato de revendedora de semijoia: checklist essencial →
Como o Gestão Joias sustenta a medição
Nenhum desses quatro indicadores sobrevive em planilha atualizada à mão, porque o dado precisa existir no momento do acerto e não no fim do mês. No Gestão Joias, a saída de maleta registra cada peça individualmente, a venda lançada pela revendedora no app alimenta o extrato em tempo real e a devolução é conferida contra o esperado, o que produz taxa de devolução e integridade sem trabalho adicional.
A Maleta Inteligente entra no portão de ajuste: quando o diagnóstico é rede esgotada, ela cruza o histórico do que aquela revendedora já vendeu com o estoque disponível e sugere o mix de reconfiguração. Para joalherias e lojas de semijoias que rodam dez ou mais revendedoras, é essa base que permite avaliar por critério e não por memória.
O Gestão Joias resolve, em produto, o que esse artigo apresenta em processo.
Sem fidelidade, cancele quando quiser, suporte humano.
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