Como transferir peça entre maletas de revendedoras
Uma revendedora tem a peça parada, a outra tem a cliente querendo comprar hoje. Se elas resolverem isso pelo WhatsApp, sua loja perde o rastro da peça e a comissão vira discussão.
A revendedora A está com um par de brincos há 70 dias sem sinal de venda. A revendedora B tem uma cliente pedindo exatamente aquele modelo para o fim de semana. As duas se falam, combinam pelo WhatsApp e a peça troca de mão no estacionamento do shopping. Ninguém avisa a loja.
No acerto do mês, o sistema cobra o brinco da revendedora A, que já não o tem. A venda aparece na conta da revendedora B, que não deveria ter aquele item na maleta dela. A loja gasta 40 minutos reconstruindo o que aconteceu. Ao final deste tutorial você terá um processo de cinco passos que faz a peça circular sem que o controle se perca.
A transferência só resolve se você souber identificar a peça certa. O diagnóstico está aqui: Peça parada na maleta: por que não vende e como corrigir →
Pré-requisitos antes de começar
Sem estes três itens, o processo não se sustenta e volta ao improviso em duas semanas. Vale para joalherias e lojas de semijoias de qualquer porte, com três ou com trinta revendedoras em campo.
- Rastreio individual por peça, não por maleta. Se o seu controle registra apenas a quantidade total entregue, não há como transferir um item sem refazer a maleta inteira.
- Termo de responsabilidade assinado por cada revendedora, com cláusula que define quando a responsabilidade muda de mão em uma transferência.
- Política de comissão escrita que estabeleça quem recebe o quê quando a peça vendida veio da maleta de outra pessoa.
- Transferência entre maletas
- Movimentação registrada de uma peça consignada da maleta de uma revendedora para a de outra, sem retorno físico à loja, com mudança formal de responsabilidade após confirmação de recebimento.
Passo a passo da transferência
Identifique a peça e confirme que ela justifica a troca
Puxe o relatório de peças sem venda por revendedora e filtre por tempo em maleta acima de 60 dias. Confirme que a peça está fisicamente com a revendedora de origem e em condição de venda, sem risco, sem oxidação e com etiqueta legível. Peça foto do item antes de autorizar. Transferir peça danificada apenas move o problema e cria discussão sobre quem causou o dano.
Autorize formalmente pela loja, nunca entre as revendedoras
A autorização parte da loja, que é a proprietária da peça. Registre quem pediu, qual item, origem, destino e data limite para a confirmação do recebimento. Deixe explícito que a transferência só é válida depois do passo 4. Autorização verbal ou combinada direto entre as duas revendedoras é exatamente o que produz o furo de estoque que este processo existe para evitar.
Registre a saída da maleta de origem antes da entrega física
O registro precede a movimentação da peça, sempre. Lance a saída no controle indicando destino e situação em trânsito. Nesse estado, a peça sai da contagem disponível da revendedora de origem mas continua sob responsabilidade dela. Se a peça sumir entre um ponto e outro, a trilha mostra quem despachou, quando e para quem, sem depender de memória ou de conversa de aplicativo.
Confirme o recebimento com a revendedora de destino
A revendedora que recebe confirma o item, confere código e condição e registra o aceite. Só nesse momento a responsabilidade muda de mão e a peça entra na maleta dela para efeito de acerto. Estabeleça prazo de 48 horas para essa confirmação. Passado o prazo sem aceite, a transferência é cancelada e a peça volta a constar como pendente na origem, o que evita item em trânsito permanente.
Confira a transferência no acerto do mês
No fechamento, valide três pontos: a peça não foi cobrada da revendedora de origem, a venda foi atribuída a quem efetivamente vendeu e a comissão de indicação, se a sua política tiver essa regra, foi aplicada. Essa conferência leva menos de dois minutos quando o registro foi feito e leva a tarde inteira quando não foi. É também o momento de medir quantas transferências viraram venda de fato.
Quanto tempo esperar antes de transferir uma peça?
Sessenta dias sem venda na mesma maleta é o gatilho de decisão que funciona na maior parte das operações de semijoia. Antes disso, a peça ainda pode estar em ciclo normal de exposição na carteira da revendedora. Depois disso, a evidência já é suficiente: aquele público específico não respondeu ao item.
| Tempo em maleta | Leitura | Ação recomendada |
|---|---|---|
| 0 a 30 dias | Ciclo normal de exposição | Nenhuma, acompanhar |
| 31 a 60 dias | Sinal de baixa aderência | Revisar abordagem e foto do catálogo |
| 61 a 90 dias | Evidência de público errado | Transferir para outra maleta |
| Acima de 90 dias | Capital imobilizado | Retorno à loja ou liquidação |
Aplique o gatilho na reunião mensal, junto com o acerto. Revisar peça parada em momento aleatório é o que faz a rotina morrer no segundo mês.
Para o critério completo de renovação de mix: Renovar peças da maleta: framework para decidir a troca →
Erros comuns que anulam o processo
- Deixar a peça em trânsito por tempo indeterminado, sem prazo de confirmação, o que cria um limbo em que ninguém é responsável.
- Transferir sem checar a condição física do item e descobrir o dano só no acerto, quando já não é possível apurar a origem.
- Pagar a comissão para quem estava com a peça e não para quem vendeu, o que destrói a confiança no processo em uma única ocorrência.
- Autorizar transferência de peça que deveria voltar para a loja, apenas empurrando estoque morto de uma maleta para outra.
- Controlar tudo em planilha compartilhada, onde duas pessoas editam a mesma linha e a versão final não corresponde à realidade física.
Como fazer isso sem planilha
Todo o processo acima depende de uma condição: rastreio individual por peça com histórico de posse. Quem controla maleta por quantidade total não consegue executar nenhum dos cinco passos, porque não existe item a movimentar, existe apenas um número.
No Gestão Joias, cada peça tem código próprio e histórico de posse, e a transferência entre maletas registra origem, destino, situação em trânsito e confirmação de recebimento com data e responsável. O acerto puxa esse histórico automaticamente, de modo que a peça é cobrada de quem estava com ela e a comissão é atribuída a quem vendeu. A Maleta Inteligente ainda sinaliza os itens parados que são candidatos naturais a transferência, cruzando o histórico de venda de cada revendedora com o estoque em campo. É o tipo de controle que joalherias e lojas de semijoias com mais de cinco revendedoras deixam de conseguir manter em planilha.
O Gestão Joias resolve, em produto, o que esse artigo apresenta em processo.
Sem fidelidade, cancele quando quiser, suporte humano.
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