Garantia de 30 dias.Ver planos
Operação e Estoque

Refundição de ouro em joalheria: qual peça vale fundir

Fundir peça de ouro parada parece recuperar capital, mas apaga a mão de obra já paga. Um framework de quatro filtros separa peça morta de peça que só está cara demais.

8 min de leituraEquipe Gestão Joias

Um mostruário com trinta peças de ouro paradas há mais de um ano parece capital preso, e a reação comum do lojista é mandar fundir tudo para recuperar o metal. Semanas depois, ele descobre que fundiu dois modelos que voltariam a girar no fim de ano e pagou de novo a mão de obra para refazer peça parecida. O ouro voltou como barra, mas a margem foi para o cadinho junto.

Refundição é uma ferramenta legítima de gestão de estoque de ouro, mas só quando decidida por critério. Este framework organiza a escolha em filtros objetivos, para que joalherias e lojas de semijoias saibam qual peça vale fundir, qual vale reprecificar e qual só precisa de tempo, sem transformar recuperação de metal em destruição de valor.

Antes de pensar em fundir, entenda por que a peça parou. Comece por aqui: leia também: estoque parado em joalheria, como diagnosticar e girar

1. O que a refundição recupera e o que ela destrói

Fundir uma joia recupera o ouro, que mantém valor de mercado independente do modelo. Mas a fundição apaga tudo o que foi somado ao metal: a mão de obra do ourives, a lapidação, o acabamento e a cravação. Uma aliança parada não perdeu o valor do ouro, perdeu a chance de vender o trabalho embutido nela. Refundir só faz sentido quando esse trabalho não tem mais comprador.

Refundição de ouro
É o processo de fundir peças de ouro paradas, quebradas ou de baixa saída para recuperar o metal, que retorna como matéria-prima para novas peças ou é vendido pelo teor. Recupera o valor do ouro, mas elimina o custo de fabricação já investido na peça.

2. Os quatro filtros do framework

A decisão de fundir não deve depender de humor nem de aperto de caixa pontual. Passe cada peça candidata pelos quatro filtros na ordem, e só funda o que reprovar em todos eles.

  1. Tempo parado: a peça está sem giro há mais de doze meses, sem sazonalidade que justifique a espera?
  2. Valor agregado: a peça tem design, cravação ou acabamento que se perde na fundição, ou é lisa e simples?
  3. Demanda do modelo: existe procura pelo estilo, ou é um desenho datado que o cliente atual não pede mais?
  4. Custo de oportunidade: o ouro imobilizado nessa peça renderia mais como capital de giro do que a chance remota de vendê-la?

3. Quanto ouro você realmente recupera?

Você recupera o peso da peça convertido pelo teor, menos a perda de refino, que costuma ficar entre 2% e 5% do peso. Uma peça de dez gramas de ouro 18k não devolve dez gramas de ouro fino: primeiro apura-se o teor, já que 18k equivale a 75% de ouro puro, depois desconta-se a perda de refino. Decidir a refundição sem contar essas duas reduções faz a loja superestimar o retorno e fundir peça que, na conta real, valia mais na vitrine.

2% a 5%
perda típica de peso no refino de ouro, que reduz o metal efetivamente recuperado na refundição
Fonte: prática de mercado joalheiro
Situação da peçaDecisão recomendada
Parada mais de 12 meses, lisa, modelo datadoRefundir: pouco valor agregado a perder
Parada, mas com design ou cravação de valorReprecificar ou remontar antes de fundir
Parada por preço acima do mercado atualReprecificar pela cotação, não fundir
Giro sazonal, como aliança e data comemorativaSegurar: a demanda volta no período certo

Antes do cadinho, tente girar. Veja o framework de liquidação: leia também: como girar peça encalhada em joalheria, framework de liquidação

4. Reprecificar antes de fundir: o filtro que salva margem

Muita peça parada não é peça morta, é peça mal precificada. Se o ouro subiu desde a fabricação, a etiqueta antiga pode estar acima do mercado, e a peça só precisa de atualização de preço para voltar a girar. Fundir uma peça que apenas estava cara é jogar fora a mão de obra por um erro de precificação. Antes de mandar para o cadinho, confira se o preço acompanha a cotação atual do ouro.

5. Registre a perda e feche a conta

Toda refundição precisa virar registro: peso de entrada das peças, teor apurado, peso de ouro fino recuperado, perda de refino e destino do metal. Sem esse fechamento, a loja não sabe quanto ouro realmente entrou de volta e repete a decisão no escuro. O metal recuperado deve dar baixa nas peças fundidas e entrar como matéria-prima, para que o estoque reflita a realidade.

O ouro que entra por compra usada segue a mesma lógica de teor e refino: leia também: compra de ouro usado, como avaliar e precificar peça do cliente

6. Como o Gestão Joias apoia a decisão de refundir

Decidir refundição no olho exige saber há quanto tempo cada peça está parada, quanto de ouro ela tem e qual o custo imobilizado, dados que a planilha raramente cruza. No Gestão Joias, o alerta de peça parada mostra o tempo sem giro de cada item, o cadastro por gramas registra teor e peso, e os relatórios revelam o capital imobilizado em ouro. A Joia AI ajuda a reprecificar a peça pela cotação atual antes de qualquer decisão de fundir, o que dá a joalherias e lojas de semijoias a base para separar peça morta de peça só mal precificada.

Pronta pra aplicar isso na sua loja?

O Gestão Joias resolve, em produto, o que esse artigo apresenta em processo.

Garantia de 30 dias, sem fidelidade, suporte humano.

Criar contaVer funcionalidades