Frete grátis ou frete cobrado na venda de semijoia
Frete grátis em peça de R$ 89 come 17% da margem e ninguém percebe, porque o custo aparece no extrato da transportadora e não na tela da venda. O comparativo abaixo mostra onde cada modelo ganha.
A loja fechou 180 pedidos no mês, com ticket médio de R$ 96 e frete grátis para todo o Brasil. O faturamento cresceu 22% em relação ao mês anterior e o saldo em caixa não acompanhou. O extrato da transportadora explicou: R$ 4.100 em envios, quase 24% do faturamento, saindo direto do lucro sem nunca ter aparecido na tela do pedido.
Este comparativo coloca os três modelos lado a lado, com o cálculo do impacto real em margem, ticket médio e conversão, e fecha com uma regra de decisão por faixa de preço. O objetivo é substituir a escolha por imitação do concorrente por uma escolha baseada na estrutura de custo da sua própria operação.
- Margem de contribuição
- Margem de contribuição é o que sobra do preço de venda depois de descontados todos os custos variáveis da operação (custo da peça, embalagem, taxa de pagamento e frete), antes das despesas fixas como aluguel e folha.
Se a base de cálculo da sua margem ainda está confusa, comece por aqui: leia também: markup vs margem em joalheria, a diferença que custa lucro →
1. O que cada modelo realmente faz com o preço
Os três modelos são a mesma decisão vista de ângulos diferentes: quem paga o envio e onde esse custo fica visível. Nenhum deles elimina o custo, e essa é a única premissa que não pode ser esquecida na comparação.
| Modelo | Como funciona | Efeito na conversão | Efeito na margem |
|---|---|---|---|
| Frete grátis | A loja absorve o envio integralmente | Alto em ticket médio e alto | Corrói margem de forma severa em ticket baixo |
| Frete cobrado | O cliente paga o valor exato do envio | Bom quando exibido cedo, ruim quando surpreende no checkout | Preserva margem integralmente |
| Frete embutido | O custo é diluído no preço da peça | Neutro, o preço parece maior na comparação | Estável em venda regional, arriscada em venda nacional |
| Modelo misto | Frete grátis acima de um piso definido | Alto e ainda puxa ticket médio para cima | Controlada, porque o piso protege a margem |
2. Quanto o frete grátis custa de verdade em ticket baixo
O cálculo abaixo usa números conservadores de operação de semijoia. Ele é o argumento mais forte contra frete grátis irrestrito e costuma encerrar a discussão em qualquer reunião de sócios.
| Item | Peça de R$ 89 | Peça de R$ 320 |
|---|---|---|
| Custo do produto | R$ 44,50 | R$ 160,00 |
| Taxa de pagamento (4%) | R$ 3,56 | R$ 12,80 |
| Embalagem | R$ 4,00 | R$ 6,00 |
| Frete absorvido | R$ 22,00 | R$ 22,00 |
| Sobra antes do fixo | R$ 14,94 | R$ 119,20 |
| % do preço | 16,8% | 37,3% |
A mesma política de frete produz 16,8% de margem de contribuição em uma peça e 37,3% em outra. Não é o frete que muda: é o peso relativo dele. Por isso política única de frete para catálogo com faixas de preço muito distintas é sempre uma decisão que subsidia o ticket baixo com o lucro do ticket alto.
3. Como calcular o seu piso de frete grátis
O piso é o valor mínimo de pedido a partir do qual a loja absorve o envio sem destruir o ganho. A fórmula é direta: custo médio de envio dividido pela margem de contribuição percentual.
- Levante o custo médio de envio dos últimos 90 dias, somando os fretes pagos e dividindo pelo número de pedidos enviados.
- Calcule sua margem de contribuição percentual média, já descontando custo do produto, embalagem e taxa de pagamento.
- Divida o custo médio de envio pela margem em decimal. Com R$ 22 de envio e 55% de margem, o resultado é R$ 40.
- Multiplique esse piso técnico por um fator entre 3 e 6, conforme o quanto você quer que o frete grátis puxe ticket médio. O resultado fica entre R$ 120 e R$ 240.
- Ajuste o número para um valor psicologicamente redondo e comunique com clareza em toda a jornada, não apenas no checkout.
O piso funciona como alavanca dupla: protege a margem nos pedidos pequenos e cria um motivo concreto para a cliente adicionar mais uma peça ao carrinho, o que aumenta o ticket médio sem desconto direto no preço.
O piso de frete grátis é uma das alavancas de ticket. As outras estão aqui: leia também: como aumentar ticket médio em joalheria, 5 alavancas práticas →
Quando o frete cobrado é a melhor escolha?
Quando o ticket médio da loja é baixo, quando a venda é predominantemente por WhatsApp ou Instagram com combinação direta com a cliente, e quando o público concentra em uma região atendida por envio barato. Nesses três cenários, comuns em joalherias e lojas de semijoias de bairro, o frete cobrado com valor exibido desde o primeiro contato preserva margem sem perder venda.
O que derruba conversão não é o cliente pagar frete: é descobrir o valor apenas no fim do processo, depois de ter formado expectativa de preço. Informar R$ 19 de envio na primeira mensagem converte melhor que revelar o mesmo R$ 19 na última tela do checkout.
Recomendação por faixa de preço
| Faixa do pedido | Modelo recomendado | Por quê |
|---|---|---|
| Até R$ 120 | Frete cobrado, exibido cedo | O envio consome mais de 15% do preço e não há margem para absorver |
| R$ 120 a R$ 250 | Frete parcialmente subsidiado | Divide o custo e mantém o incentivo para a cliente subir de faixa |
| Acima de R$ 250 | Frete grátis | O custo relativo cai abaixo de 9% e o benefício em conversão compensa |
| Campanha com prazo | Frete grátis sem piso | Verba definida, prazo curto e resultado medido em pedidos incrementais |
A recomendação principal é o modelo misto com piso calculado sobre a sua própria margem. Frete grátis irrestrito é inferior porque transfere lucro para a transportadora sem contrapartida de ticket. Frete cobrado puro é inferior em catálogo de ticket alto, porque desperdiça uma alavanca de conversão que já estaria paga pela margem daquela faixa.
Como acompanhar isso sem planilha paralela
A decisão só se sustenta se o custo de envio aparecer no mesmo lugar onde a venda é registrada. Quando o frete vive no extrato da transportadora e a venda vive no sistema, a margem real da loja só é conhecida no fechamento contábil, tarde demais para corrigir política.
No Gestão Joias, o custo de envio pode ser lançado como custo variável vinculado ao pedido, o que faz o relatório de margem por categoria refletir o ganho real e não o ganho aparente. A Joia AI ajuda a testar cenários de piso a partir do histórico da própria loja, respondendo o que aconteceria com a margem se o piso subisse de R$ 150 para R$ 200. Para joalherias e lojas de semijoias que vendem online e no balcão, é o que permite discutir política de frete com número em vez de sensação.
O Gestão Joias resolve, em produto, o que esse artigo apresenta em processo.
Sem fidelidade, cancele quando quiser, suporte humano.
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