Como calcular o DAS do Simples na joalheria mês a mês
A alíquota do folder do Simples não é a que você paga. Veja o passo a passo da alíquota efetiva para prever o DAS da sua loja antes de a guia chegar no dia 20.
Todo dia 20, o lojista abre a guia do DAS e vê um valor que não bate com a conta que fez de cabeça. O motivo quase sempre é o mesmo: ele usou a alíquota que aparece na tabela do Simples, e não a alíquota efetiva, que é menor e depende do faturamento acumulado do ano. A diferença muda o planejamento de caixa do mês inteiro.
Este tutorial mostra, passo a passo, como calcular o DAS do Simples Nacional para uma joalheria de comércio, com fórmula, tabela e exemplo numérico. O objetivo é que joalherias e lojas de semijoias entendam de onde vem o valor da guia, consigam prever o imposto e conversem de igual para igual com o contador, que continua sendo quem faz o fechamento oficial.
Antes de calcular o DAS, confirme se o Simples é mesmo o melhor regime para a sua loja: leia também: regime tributário para joalheria, Simples, Lucro Presumido ou Real →
Pré-requisitos: o que você precisa antes de calcular
Para calcular o DAS você precisa de três informações: a receita bruta dos últimos doze meses (a RBT12), o faturamento do mês que será pago e o anexo em que a loja se enquadra. A joalheria que compra e revende mercadoria fica no Anexo I, o do comércio. Se a loja também presta serviço de conserto com nota, parte da receita pode cair em outro anexo, e aí o contador precisa separar.
Levante a RBT12
Some a receita bruta dos últimos doze meses anteriores ao mês de cálculo. Se a loja tem menos de um ano, existe uma regra de proporcionalidade que o contador aplica. A RBT12 é o que define em qual faixa do anexo a loja está.
Encontre a faixa no Anexo I
Com a RBT12 em mãos, localize a faixa correspondente na tabela do Anexo I. Cada faixa tem uma alíquota nominal e uma parcela a deduzir, os dois números que entram na fórmula da alíquota efetiva.
Calcule a alíquota efetiva
Aplique a fórmula: multiplique a RBT12 pela alíquota nominal, subtraia a parcela a deduzir e divida o resultado pela RBT12. O número que sai, em percentual, é a alíquota efetiva daquele mês.
Aplique sobre o faturamento do mês
Multiplique o faturamento do mês pela alíquota efetiva. O resultado é o valor do DAS a recolher. Note que a alíquota vem da RBT12, mas incide apenas sobre o que a loja faturou no mês de referência.
Confira no PGDAS-D e recolha até o dia 20
O cálculo oficial é feito no PGDAS-D, o programa gerador do DAS, normalmente pelo contador. Compare o valor do sistema com a sua conta, entenda qualquer diferença e recolha até o dia 20 do mês seguinte ao faturamento.
Por que a alíquota do folder não é a que você paga?
Porque o Simples usa alíquota efetiva, sempre menor que a nominal. A alíquota nominal é o teto da faixa; a parcela a deduzir corrige esse teto para que a transição entre faixas seja suave. Sem a parcela a deduzir, quem sobe de faixa pagaria um salto injusto de imposto. Veja como fica na prática.
- Alíquota efetiva
- É o percentual real de imposto pago no Simples Nacional, obtido pela fórmula (RBT12 x alíquota nominal - parcela a deduzir) / RBT12. Ela é sempre menor que a alíquota nominal da faixa e é a que deve ser usada para estimar o DAS.
| Faixa (RBT12) | Alíquota nominal | Parcela a deduzir |
|---|---|---|
| Até R$ 180.000,00 | 4,00% | R$ 0 |
| De R$ 180.000,01 a R$ 360.000,00 | 7,30% | R$ 5.940,00 |
| De R$ 360.000,01 a R$ 720.000,00 | 9,50% | R$ 13.860,00 |
| De R$ 720.000,01 a R$ 1.800.000,00 | 10,70% | R$ 22.500,00 |
| De R$ 1.800.000,01 a R$ 3.600.000,00 | 14,30% | R$ 87.300,00 |
| De R$ 3.600.000,01 a R$ 4.800.000,00 | 19,00% | R$ 378.000,00 |
Exemplo: uma joalheria com RBT12 de R$ 600.000 cai na terceira faixa (alíquota nominal 9,50%, parcela a deduzir R$ 13.860). A alíquota efetiva é (600.000 x 0,095 - 13.860) / 600.000, ou seja (57.000 - 13.860) / 600.000, que dá 7,19%. Se essa loja faturou R$ 50.000 no mês, o DAS é 50.000 x 7,19%, cerca de R$ 3.595. Bem diferente dos R$ 4.750 que sairiam se ela usasse os 9,50% do folder.
Erros comuns no cálculo do DAS
Os deslizes mais frequentes são usar a alíquota nominal no lugar da efetiva, esquecer de atualizar a RBT12 a cada mês, misturar receita de venda com receita de serviço sem separar anexo e recolher em atraso, o que gera juros e multa. Cada um desses erros distorce o valor e atrapalha a previsão de caixa.
Vá além do cálculo e veja os erros que fazem a loja pagar mais imposto do que deveria: leia também: erros no Simples Nacional da joalheria que aumentam o imposto →
Como o Gestão Joias ajuda no controle do DAS
O cálculo oficial é do contador, mas a loja precisa dos números certos para alimentar esse fechamento. No Gestão Joias, o faturamento de NF-e e NFC-e fica consolidado por período, o que facilita levantar a RBT12 e o faturamento do mês sem catar nota a nota. O envio automático das notas ao contador reduz erro de digitação e atraso, e os relatórios de faturamento ajudam joalherias e lojas de semijoias a prever em qual faixa vão cair antes de o DAS chegar.
O Gestão Joias resolve, em produto, o que esse artigo apresenta em processo.
Garantia de 30 dias, sem fidelidade, suporte humano.
Outros artigos da mesma categoria.
Imposto na importacao de joia: o que o lojista paga
O preco do fornecedor no exterior e so o comeco. Imposto, frete, seguro e cambio entram na base e mudam a conta. Veja o que realmente se paga para importar joia.
Guarda de documentos fiscais na joalheria: o que arquivar
O fisco pode cobrar um documento cinco anos depois da venda. A loja que descarta nota cedo ou guarda tudo no chute fica exposta justamente quando é fiscalizada.